Funcionárias de Itororó estão aguardando o dia 14 para desativação das filiais
*A Tarde
As demissões de quatro mil trabalhadores das fábricas baianas da
Vulcabras/Azaleia levaram o governador Jaques Wagner a Brasília para
pedir ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, medidas de proteção ao
calçado brasileiro na sua guerra desigual contra os produtos chineses. O
caso conseguiu uma rara união entre deputados do governo e oposição na
Assembleia Legislativa em defesa dos trabalhadores e da economia dos
seis municípios afetados com as demissões.
Wagner conversou com
Mantega, mas teve um encontro rápido com a presidente Dilma Rousseff,
que ontem estava com a agenda cheia. Por essa razão, o governador volta a
Salvador para participar de um evento na manhã de hoje e, à tarde,
retorna a Brasília, onde fica até a amanhã quando terá mais tempo para
tratar do assunto com a presidente.
Debate na Assembleia – O
problema da industria calçadista baiana tem sido um dos principais
assuntos de discussão nas sessões da Assembleia
Legislativa. O deputado Carlos Geílson (PTN) da oposição
reclamou que os deputados não podem ficar de "braços cruzados" em
relação ao problema. Nessa linha, seu colega deputado Rosemberg Pinto
(PT) informou que os parlamentares participarão de uma plenária, sexta,
na cidade de Itapetinga, onde está a sede da Vulcabras/Azaleia na Bahia.
O evento contará com a participação dos trabalhadores, prefeitos e
comerciantes da região.
Rosemberg fez coro com o secretário da
Indústria e Comércio do Estado, James Correia, que culpou o governo
federal pelo problema. Os dois defendem a criação de barreiras
comerciais para os calçados importados a preços muito baixos. "Se a
fábrica da Ford tivesse demitido mil operários, a própria Dilma já teria
vindo à Bahia resolver o caso", ironizou.
Segundo o deputado
petista, há oito meses quando apareceram os primeiros sinais do
problema, o governo federal foi avisado e o governador Jaques Wagner
reduziu a alíquota do ICMS dos calçados baianos em 99%: "A concorrência
desleal continuou com os chineses praticando dumping e aí a Vulcabras
não aguentou, embora seus diretores tenham errado ao demitir os quatro
mil trabalhadores sem nos procurar para continuarmos buscando saídas",
salientou. Rosemberg disse que a empresa está disposta a rever as
demissões caso o governo federal baixe alguma medida protecionista